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O Artista: uma homenagem ao cinema de época

Postado por Facool - 22/02/2012 14:55

Por Jade Primavera


Estranhamente, nesse ano um dos filmes mais falados até agora é mudo, orquestrado, em preto & branco, franco-belga, e como protagonista tem um outsider de padrões. O Artista (2011, Michel Hazanavicius) quebra alguns paradigmas da padronagem do cinema de sucesso e em pleno auge do cinema 3D, faz com que voltemos nossos olhares a valores de um cinema ultrapassado, démodé.

 

O filme é uma homenagem ao cinema de época, e dentre suas diversas citações, arriscamos algumas. George Valentin – protagonista do filme – teria em seu nome uma possível homenagem ao ícone italiano do cinema mudo: Rodolfo Valentino. As relações vão além de um cabelo “vaselinado”, os dois estrangeiros são extremamente sedutores, parecem ter aquele famoso “imã” frente às câmeras. Há curtos, mas prazerosos momentos de dança e sapateado, que remetem a Cantando na Chuva (1952, Stanley Donen e Gene Kelly), talvez, mas principalmente a O Picolino (1935, Mark Sandrich). O filme, protagonizado por Fred Astaire e Ginger Rogers, ainda traz outras relações com O Artista: foi rodado na década de 30; nos tempos do crash da bolsa de valores os personagens dançavam alegremente em locações internas de estúdios, ignorando o caos externo da economia. Essa também foi uma boa solução para o longa franco-belga, que depois de falir o protagonista com a mesma crise financeira e o afastar do cinema pela barreira da fala, o reintegra ao meio pelo musical de grandes estúdios. Está lá em Hazanavicius também decadência do cinema mudo à moda “Crepúsculo dos deuses”. O cinema que pede pela “fresh meat”, as novas caras falantes.





Pequeno comentário sobre O Picolino AQUI.

 

E para retomar tradicionalmente as atuações do cinema mudo, a expressividade volta com força, principalmente nos trejeitos faciais, e nas caretas – ironizadas durante o filme. Merecem destaque pequenas encenações, como quando Peppy (par amoroso do protagonista) abraça a si mesma com o casaco de Valentin, em um romance cheio de comicidade e encenação teatral. As cenas de sapateado e dança, que muitas vezes podem tornar-se maçantes contemporaneamente, tiram o fôlego, são ótimas, combinam com todo o carisma dos personagens.

 

Apesar de trazer protagonistas verdadeiramente anônimos por aqui, no elenco percebemos velhos clássicos conhecidos. O principal desses coadjuvantes é John Goodman, que cada vez que aparece rouba a cena com suas expressões cômicas e simpáticas. Há ainda James Cromwell como mordomo, Malcolm McDowell fazendo uma pequena ponta logo no início, e Missi Pyle, que se destaca expressivamente como coadjuvante dos filmes que se passam dentro do filme.



 

 

O filme traz antigos hábitos culturais do cinema da época, como os cigarros na sala, e o mais saudoso deles: salva de palmas aos bons filmes após as sessões. Na sessão de estreia aquiem Porto Alegre, talvez por terem se contagiado com a atmosfera da ficção, o público levantou e bateu palmas quando os créditos subiram. Outro antigo hábito que parece estar a “anos-luz” de nossos dias é a execução da orquestra durante a exibição dos filmes. Um clima nostálgico, que nos fazia próximos à execução de toda a obra que é um filme, proximidade muito mais autêntica do que qualquer tecnologia poderia nos fornecer. Não tínhamos um filme pronto na tela, sendo exibido de maneira igual pelo mundo inteiro, mas execuções musicalmente únicas. Essa seria uma moda interessante para voltar, apesar dos prováveis elevados custos.

 

Algumas situações tornam o filme interessante, como a sua incursão ao cinema fantástico. A introdução do som sincronizado quando o copo faz barulho ao bater na mesa é surpreendente, todos têm o poder de emitir sons, menos Valentin. Também relacionado à escola fantástica, no auge da decadência, em meio a drinques e fumaças de cigarro, a sombra do protagonista toma vida na luz da projeção dos seus filmes, o abandonando. São cenas inesperadas, justificadas pela bebida ou pelos sonhos, que tornam-se boas surpresas. Apesar disso, o filme perde um pouco do seu ritmo quando o protagonista começa a andar ladeira abaixo, rumo à decadência, nos tempos do grande crash da bolsa.

 

Indicado em 10 categorias ao Oscar, vencedor de 7 Bafta e da categoria de melhor ator em Cannes, vencedor de mais 3 Globos de Ouro, apenas para pincelar entre alguns prêmios mais badalados, O Artista vem conquistando uma infindável arrecadação de prêmios e público.

 

De certa maneira acaba sendo um filme nostálgico, que desperta o público para um olhar alternativo. Costuma-se dizer que quando está sem inspiração, o cinema olha para trás. Talvez o investimento nessa produção tenha partido desse hábito, mas o resultado transgrediu qualquer expectativa.

 

 

Trailer de O Artista:



 

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Fotógrafo cria final trágico para heroínas de contos de fadas

Postado por Júlia Franz - 17/02/2012 17:26

Quando pensamos em Princesas de Contos de Fadas, sempre acabamos associando a conceitos utópicos como beleza, amor e felicidade. Mas na vida real sabemos que as coisas não são tão lindas assim e os finais felizes são extremamente raros.



Pensando nisso, o fotógrafo francês Thomas Czarnecki criou um final mais sombrio para os contos de fadas e matou algumas das princesas mais importantes da Disney em um ensaio camado "From Enchantment to down" - Do encantamento à queda.



O objetivo de Czarnecki é criar um choque cultural com a série de fotos, que mostram personagens como Alice, Branca de Neve e Princesa Jasmin mortas em locais abandonados. Isso demonstra o confronto entre o universo da inocência dos contos de fadas e a realidade obscura que faz parte da sociedade e da cultura comum.



A maior parte das imagens tem cenários que tem relação com a história das personagens. A sereia Ariel, por exemplo, aparece morta e envolta em plástico em uma praia e a índia americana Pocahontas é carregada nos braços por um caçador que a matou.



Quem diria que tu um dia veria as famosas princesas em um universo tão diferente e real, hein? Muito massa!

 

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Uma história a ser contada

Postado por Facool - 16/02/2012 17:33

Livro busca investigar os primeiros videogames no Brasil.



Por Rafael Gloria* 


O ano é 1983. A ditadura dava seus últimos passos no Brasil na mesma época que os videogames eram introduzidos oficialmente no País. É sobre isso que retrata o livro “1983: O Ano dos Videogames no Brasil”, de Marcus Garrett, um colecionador de videogames antigos e um estudioso da área, lançado ano passado. Através de uma pesquisa extensa ele mostra como as empresas nacionais desenvolveram as suas ideias, e como foi a aceitação por parte dos consumidores daquela época.

 

É extremamente válido divulgar esse tipo de pesquisa e livros que tratam sobre os videogames ainda mais em termos nacionais. Uma vez que nosso registro histórico sobre esse tema é quase inexistente. Pode-se dizer que é um trabalho pioneiro na área, e que deve ser valorizado pelo público e outros pesquisadores.


Livro procura documentar a entrada dos videogames no Brasil (Crédito: Divulgação)

 

 

Segue a entrevista que fiz por email (Marcus mora em São Paulo):

 

 

Facool - Como surgiu o seu interesse pelos jogos?

 

Marcus Garret - Meu interesse por jogos surgiu no começo dos anos 80, quando pude brincar com um Telejogo que ganhei, com alguns jogos portáteis do tipo Game & Watch (da Nintendo) e com um relógio da Casio que vinha com um game de nave, o Game-10. A partir de então, foi amor à primeira vista, nunca parei de jogar.

 

 

Facool - Por que 1983 foi o ano dos videogames?

 

Marcus Garret - Em 1983 o videogame chegou, enquanto nova forma de entretenimento, um novo brinquedo, ao país oficialmente. Grandes empresas, como a Philips e a Gradiente, passaram a fabricar os produtos por aqui e a vendê-los no Brasil, portanto, os aparelhos foram distribuídos em grande escala, estavam em todas as lojas. Claro que, via contrabando e por meio de vendas na Zona Franca de Manaus, alguns consoles já chegavam ao país desde o fim dos anos 70, mas foi realmente em 1983 que a "brincadeira" começou de forma contundente e oficial.

 

 

Facool - Gostaria que comentasse um pouco sobre o processo de produção de 1983: O Ano dos Videogames. Houve muitas dificuldades para achas fontes ou arquivos? Acha que falta uma documentação da história dos games no Brasil?

 

Marcus Garret - A grande dificuldade de escrever um livro desses não é nem achar as fontes de informação, mas reunir tudo de modo a que a coisa toda faça sentido, isto é, fique coesa. Usei diversas fontes de informação além da memória de quem viveu o período como criança: revistas especializadas da época, como a Micro & Vídeo e a Vídeo News, revistas de negócios, como a Exame, a revista Veja, e jornais como a Folha de S. Paulo. A dificuldade está em juntar tudo e traçar conexões entre os acontecimentos.

 

Infelizmente, como a Imprensa assim batizou o Brasil, nosso país parece ser um "país sem memória". Procurei fazer a minha parte em relação ao mercado de games especificamente. Devido à Reserva de Mercado, acabamos tendo uma rica e curiosa história no que diz respeito aos jogos, mas ela acaba negligenciada em favor de outros temas, como Futebol, por exemplo.


O livro traz ilustrações com várias imagens de videogames e jogos antigos. (Crédito: Divulgação)

 

 

Facool - Como foi a recepção da publicação?

 

Marcus Garret - Foi, graças a Deus, excelente. O livro foi lançado, por meio de uma parceria com a entidade ACIGAMES, do amigo Moacyr, em um grande shopping aqui de São Paulo, o Ibirapuera, na loja UZ Games do amigo Marcos Khalil. Até o momento, vendi mais de 300 cópias do livro - e as vendas não param.


Facool - Você pretende lançar a continuação, o 1984: A febre dos videogames continua, quais serão os principais assuntos desse livro?

 

Marcus Garret - O novo livro, que deverá estar à venda no fim de março, retoma o assunto de onde parei no primeiro, isto é, além de traçar os acontecimentos daquele ano de 1984, procurei aprofundar alguns aspectos que foram apenas citados em "1983". Comentei, também, sobre os consoles lançados, como o Supergame da CCE, o Onyx Junior da Microdigital, o Dactar II 007 e outros. Tem bastante coisa no livro novo, muitas imagens e curiosidades!


 Também traz informações do contexto histórico da época, situando o leitor (Crédito: Divulgação) 

 

 

Facool - Conte-nos, o que acha dos consoles atualmente? O que tem jogado?

 

Marcus Garret - Penso que os jogos novos constituam realmente um universo fantástico. O jogador acaba imerso em um mundo novo por explorar - graças à tecnologia. Porém, ainda prefiro a simplicidade dos jogos da minha infância.

 

 

Ficou interessado? Para entrar em contato com o autor e adquirir o livro o contato é euquero1983@gmail.com


*Rafael Gloria é jornalista, editor do site Nonada – Jornalismo Travessia, autor do blog Contagens e um interessado no cultura dos videogames. 

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Vídeo: Inception Park

Postado por Isadora Lescano - 16/02/2012 17:20

 


A imagem aí em cima é um dos frames do vídeo Inception Park, da produtora argentina Black Sheep Films.

 

Eles sobrepuseram imagens de montanhas russas e outros brinquedos de parques de diversão em clássicas paisagens urbanas de Buenos Aires.

 

Ficou criativo e divertido. Olha AQUI.

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Paweł Kuczyński: crítica social + arte

Postado por Isadora Lescano - 16/02/2012 15:13

O artista polonês Paweł Kuczyński se inspira nas contradições que observa na sociedade humana para criar sua arte. Que aliás, é genial e instigante. Segue abaixo uma amostra do trabalho dele.


Pra apreciar e pensar.










Veja mais AQUI.



Via Hypeness.

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